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ULTRA-SONOGRAFIA ANORRETAL
BIDIMENSIONAL
Diferentes modalidades
de exame de imagem possibilitam avaliação
anatômica da região anorretal. No entanto, o
ultra-som com o transdutor específico anorretal
circunferêncial com 360°,
freqüência de 7 a 10 MHz possibilita visualizar com
clareza as estruturas anatômica que formam o canal anal e
reto. As imagens ultra-sônicas são geradas por
diferenças na densidade tecidual, sendo o canal anal e reto
estruturas propícias a essa avaliação
pois apresentam tecidos com diferentes densidades. Essa modalidade de
exame é facilmente realizável,
não-invasivo, bem tolerado e não expõe
o paciente à radiação. Presta
relevante papel na avaliação das
afecções benignas e malignas anorretais; na
incontinência fecal, identificando lesões
esfincterianas com clareza a e definindo com precisão o
número e extensão. Identifica ainda a
evolução e a extensão dos processos
inflamatório-infecciosos, os abscessos anorretais, os
componentes do complexo fistuloso
(trajetos, orifício e cavidades adjacentes), a
relação da endometriose perianal com o complexo
esfincteriano e a endometriose pélvica com as camadas da
parede retal e estabelece o estadiamento das neoplasias anorretais
orientando a decisão terapêutica e avaliando os
resultados de modo a diagnosticar precocemente as recidivas tumorais.
Mais recentemente, tem sido desenvolvido sua
aplicação no diagnóstico diferencial
da evacuação obstruída.
ULTRA-SOM
ANORRETAL TRIDIMENSIONAL
A ultra-sonografia
anorretal tem sido amplamente aplicada no esclarecimento
diagnóstico de afecções benignas e
malignas anorretais, utilizando-se variados tipos de transdutores.
É necessário, no entanto, conhecimento da
anatomia anorretal e do aparelho de ultra-som a ser utilizado de modo a
obter imagens ricas em informações para serem bem
interpretadas. O modelo de transdutor radial de 360º
restringe-se à avaliação
circunferencial das estruturas anatômicas anorretais,
não sendo possível examiná-las em
outro plano. Devido a esta limitação, foram
desenvolvidos recentemente transdutores de 360º com a
possibilidade de reconstruir imagens tridimensionais após
captá-las no modo bi-dimensional. A imagem tridimensional
(3D) é formada por seqüência de numerosas
imagens paralelas trans-axiais em forma de cubo. A
aquisição do cubo se faz pela varredura do
segmento anorretal a ser analisado pela
movimentação proximal-distal da
porção terminal do transdutor. O mecanismo de
movimentação pode ser manual ou
automático de acordo com o tipo de transdutor utilizado.
Quando o escaneamento se faz pela movimentação
automática, a aquisição da
seqüência de imagem apresenta-se com elevada
resolução espacial. A imagem formada em cubo pode
ser gravada e amplamente movimentada, possibilitando ao operador
adquirir todos os tipos de cortes e até a
multi-visão que consiste na
visualização de 4 e 6 imagens especializadas
simultaneamente, além da obtenção do
exame em tempo real, ou seja, possibilidade de poder
revisá-los posteriormente tantas vezes quanto desejar, melhorando significativamente a
precisão do exame e elevando a quantidade de
informações obtidas. A análise do
canal anal e reto no plano circunferencial e longitudinal (sagital,
transversal) e ainda, a associação com a
diagonal, obtidos a partir do exame 3D, possibilitam medir o
comprimento e a espessura de todas as estruturas anatômicas e
avaliar com precisão a relação com
processos inflamatórios e neoplásicos localizados
na região apresentando elevada
resolução espacial e visão espacial
completa, adicionando ou confirmando informações
importantes ao diagnóstico e à decisão
terapêutica. Apresenta ainda, a vantagem da menor
complexidade técnica, maior rapidez em sua
realização, melhor tolerância e baixo
custo quando comparado com exames de imagem que apresenta
características semelhantes, como a ressonância
nuclear magnética com bobina.

Dra. Sthela Regadas
Mestre e Doutora em cirurgia pela UFC.
Responsável pelo setor de Fisiologia Anorretal do
Serviço
de Coloproctologia do Hospital das Clínicas
da UFC, TSBCP e ABCD.
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